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muito tempo o soro de leite foi visto como um resíduo sem qualquer
valor comercial. Esta abordagem está sendo abandonada dada as suas
excelentes propriedades funcionais e nutricionais.
Segundo KOSIKOWSKI (1979), o soro de leite é a porção
aquosa do leite que se separa da precipitação da caseína
durante a fabricação convencional de queijos, e que retém
cerca de 55% dos nutrientes do leite.
As proteínas do soro têm sido usadas como suplemento nutricional,
pois possuem alto valor biológico e estão entre as mais
equilibradas fontes de aminoácidos da dieta humana, podendo ser
usadas numa grande variedade de aplicações na indústria
alimentícia como, por exemplo, no fabrico de requeijão,
ricota, além de serem acrescentadas em bebidas lácteas,
iogurtes, margarinas entre outros produtos ou ainda reincorporada à
coalhada.
Algumas das razões que farão com que os concentrados protéicos
de soro sejam usados de maneira cada vez mais intensa e freqüente
na fabricação de produtos nutricionais e em produtos lácteos
fermentados acidificados são: alta digestibilidade; equilibrado
perfil de aminoácidos em sua composição; elevados
níveis de aminoácidos essenciais; ausência de substâncias
tóxicas; efeitos fisiológicos excepcionais e desejáveis;
sua funcionalidade superior em alimentos lácteos acidificados;
sabor e aroma suave.
Pesquisas feitas junto às cooperativas produtoras de leite e derivados
na região do Sul de Minas evidenciaram a dificuldade para o tratamento
do soro de leite. Constatou-se que 30% do produto têm como destino
final a ração animal e irrigação do solo,
ocasionando uma grande agressão ao meio ambiente.
O projeto de “Adição do Soro de Leite em Preparações
Alimentares no Combate à Desnutrição”, teve
início no ano de 2001 com um estudo experimental em ratos onde
se observou significativo ganho ponderal nos animais cuja alimentação
foi acrescida de soro de leite.
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Partiu-se então
para elaboração de receitas de fácil preparação
adicionadas de soro de leite as quais foram submetidas à análise
sensorial por 55 degustadores, que avaliaram os seguintes aspectos: aparência,
odor, cor, sabor e textura. As preparações obtiveram aceitação
entre boa e ótima em todos os aspectos, dando origem a uma cartilha
com 30 receitas de uso rotineiro em cardápios de merenda escolar. |
Em seguida partiu-se para a implantação
de um projeto piloto onde foram selecionadas quatro escolas municipais
localizadas em bairros carentes do município de Itajubá
- MG. Em três delas foram adicionadas preparações
contidas na cartilha no cardápio da merenda escolar. Uma escola
seguiu o cardápio sem nenhuma alteração e foi definida
como ‘Escola Controle’. Para verificar o estado nutricional
dos alunos foi realizada avaliação nutricional antropométrica
aferindo peso, altura, circunferência braquial e dobra cutânea
triciptal, onde no ano de 2006 foram avaliados cerca de 1200 alunos
da rede pública desta cidade. Os resultados demonstraram que
neste período houve maior ganho ponderal (peso e altura) nos
alunos que consumiram preparações acrescidas de soro de
leite comparados aos alunos que não o receberam.
Após o projeto-piloto e comprovação da eficácia
da adição do soro em preparações alimentares,
partiu para a implantação do projeto em outros municípios.
Dentre estes, destacam-se os municípios de São José
do Alegre e Conceição das Pedras onde as avaliações
antropométricas dos alunos já foram realizadas e o projeto
vem sendo implantado.
O projeto também é apoiado pelo Consórcio Intermunicipal
de Saúde do Alto Sapucaí – CISMAS, composto por
14 municípios que serão os próximos a implantarem
o projeto em suas escolas.
Embora a presente pesquisa esteja em andamento, pode-se, através
de dados preliminares, prever que a suplementação alimentar
por meio de utilização do soro de leite contribuirá
significativamente para a redução da desnutrição
no país.
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